Jordi Savall Blogspot
Posted in HomeBy adminOn 05/11/17Ser en la dcada de los sesenta cuando comiencen a aparecer pistas sobre cantias propiamente dichas. El investigador David en su blog papelesflamencos. Texte explicatif et rfrences sur mon blog httplelutindecouves. H coisas extraordinrias. Esta que se pode ver no vdeo l mais abaixo, a da Biblioteca Pblica de Nova Iorque ter um servio personalizado em que qualquer pessoa pode telefonar para colocar uma pergunta e haver sempre algum a responder, nos tempos que correm, do alm. Explica uma das funcionrias que talvez sejam pessoas que no tm acesso s tecnologias ou, ento, pessoas que gostam de ter algum que fale com elas. Acho isto to bonito, to bom, to genuinamente humano que nem sei bem como exprimir me. A partilha do conhecimento atravs de um interface humano parece coisa quase ficcional. E, no entanto, at h no muito tempo era assim que as coisas funcionavam atravs do contacto humano. Sou do tempo em que a internet comeou a aparecer nas empresas. Ao princpio nem se percebia bem o alcance da coisa. Havia um motor de busca de que eu gostava muito. Chamava se, se no estou em erro, Altavista. Parecia me uma fantstica janela aberta para o mundo. E sou do tempo ainda mais antigo em que, para saber coisas fora do meu alcance, subscrevia revistas estrangeiras ou era me dado conhecimento do ndice dos livros novos que chegavam biblioteca, livros, bem entendido, dentro do meu intervalo de interesses. J, por essas alturas, eu andava em busca da inteligncia artificial, de modelos complexos, de coisas assim. Outras vezes, ligava para a bibliotecria, senhora muito low profile, quase parecendo esvada tanta a sua vasta erudio, e colocava lhe questes complicadas. Dizia lhe o que gostava de saber sobre um assunto e pedia que ela espreitasse livros que tratassem disto ou daquilo. Depois ela ligava me, contava me sobre as suas pesquisas e enviava me, por envelope interno que um contnuo distribua pelos gabinetes, fotocpias de algumas pginas. Com as suas pesquisas, tantas vezes ao lado, aprendi tambm muita coisa pois, mesmo que as fotocpias no contivessem bem aquilo que eu procurava, no raramente introduziam me noutros mundos. E eu gostava de falar ao telefone com ela. Na altura, eu tinha um telefone dos modernos. Era cinzento e tinha teclas. Muitas outras pessoas tinham telefones pretos com um marcador de andar volta, com o dedo preso no buraquinho correspondente ao nmero. Enfim. Se eu contar isto aos meus pimentinhas acharo que mais uma das minhas histrias, daquelas que gostam de me ouvir contar e que invento medida que vou contando. Fez9ZyBxb60/Wb_sIL04J8I/AAAAAAAAEfg/LkQMUsdWB6U0OSEO-Tahhz1sxWGkofYygCLcBGAs/s640/savall02.jpg' alt='Jordi Savall Blogspot' title='Jordi Savall Blogspot' />
Mas aconteceu. Numa outra era. Agora, enquanto escrevo e a propsito daquilo de as pessoas ligarem talvez porque gostam de ter algum com quem falar estou a lembrar me da minha tia, a tia que, por tanto gostar dela, convidei para madrinha de casamento e a quem ela, eu ainda uma mida, tinha convidado para madrinha da sua filha. Telefonava lhe todas as sextas feiras. O meu primo trabalha, claro, e tem uma profisso sem horrios. A minha prima vive numa oura cidade. O meu tio tinha nos abandonado havia pouco, uma morte sbita que o poupou a maior sofrimento, deixando nos todos muito tristes e a ela ainda mais. Jordi Savall Blogspot' title='Jordi Savall Blogspot' />Estimados amigos, Cuando con fecha 27 de Septiembre pasado httpfrenopaticomusicalmelasudas. Albeit lost, the cause does please me. Freely adapted from Lucanus, Pharsalia, after a saying by Marcus Porcius Cato. CGf1mXK8gk/TtubM9yeUGI/AAAAAAAARRw/QRN2g0Wk-gI/s400/TARQUINIO%2BMERULA.jpeg' alt='Jordi Savall Blogspot' title='Jordi Savall Blogspot' />Ela no queria ir para lado nenhum, queria estar em sua casa. Cada vez mais doente, cada vez mais fraca. Blog sobre msica clsica, crtica de discos y audiciones comparadas. YPXNAO1PCe0/U68f5SJTAZI/AAAAAAAAQ9s/yD7BCsdv4QM/s1600/11.jpg' alt='Jordi Savall Blogspot' title='Jordi Savall Blogspot' />E todas as sextas feiras, ela cada vez mais dbil, me falava da sua falta de foras, me falava da nora que era to impaciente com o meu primo e de como lhe custava ver aquela rapariga gritar com o parvo do teu primo, que aceita que ela fale com ele daquela maneira, me falava dos netos, to espertos, e da neta beb da minha prima, filha de uma segunda relao, e quem ela tinha pena de no poder ir ajudar, fao ideia aquela casa, os filhos do rapaz, as filhas dela, tanta gente, e mais os ces, e uma casa to grande e ela que nunca gostou nada das coisas da casa, fao ideia, fao ideia. E, sem foras, toda se emocionava por no poder meter se na camioneta e ir ajudar a filha. Eu conversava com ela de corao partido. Sentia que as foras estavam a abandon la. Comecei a convenc la a ir para um lugar onde tivesse assistncia. A minha me, com alguma ginstica e aflita por deixar o meu pai durante tanto tempo, conseguiu ir v la nesses ltimos dias. Veio de l, cheia de lgrimas, Coitadinha. J no dura muito. Coitadinha. Para andar, j s dobrada e encostada aos mveis. J no dura muito. E no. Morreu pouco depois. E eu, durante muito tempo, chegava a sexta feira tarde e sentia a falta de falar com ela. Sempre que eu me despedia, ela dizia adeus, minha querida, obrigada por ligares sempre. E tratava me pelo meu diminutivo. Ela dizia que ficava espera que eu ligasse e eu ficava espera de serem horas de lhe ligar. J foi h algum tempo mas continuo a lembrar me disso. Sinto a sua falta. Era to alegre, to moderna, to para a frente, as tuas palavras to humanas. To consciente da sua finitude. To corajosa. E isto que estou a dizer no tem a ver com o google humano ou com a funo social dos bibliotecrios. Foi assunto que chegou enquanto eu escrevia. Tem a ver apenas com as saudades que sinto de uma pessoa de bem, que sempre conheci sorridente, boa companhia, muito amiga. Gostava de me sentar ao fim da tarde das sextas feiras, marcar o seu nmero e ficar ali a ficar com ela. Ainda no apaguei dos meus contactos no telemvel o nmero de telefone l de casa. H pessoas de quem me custa pensar que desapareceram para sempre. Preferia acreditar que a alma delas vive agora num outro corpo qualquer. Poderia at ser no corpo de um animal. Ou numa rvore. Talvez um dia ligue para a Biblioteca e pergunte Por onde anda agora a alma da minha tia ou, ento, As palavras que troquei com a minha tia naquelas tardes de sexta feira desapareceram no imenso cemitrio das palavras mortas, ou andam ainda por a, acompanhando me ao longo desta minha caminhadaSe um dia o fizer, o que ser que a Rosa Caballero me dir. O Google Humano da Biblioteca de Nova Iorque. J agora, se me permitem, algumas outras bibliotecas maravilhosasentre as quais a que acima se mostra. E mais livros, desta vez livros proibidos, uma instalao tambm extraordinria. Dt Encryptor User Manual. Na Alemanha. Junto ao texto, as imagens mostram esculturas digitais de Chad Knight. Msica de Philip Glass para harmnica de vidro.